Não se tem uma bela bruxa nos braços a qualquer momento…

Episódio aconteceu ainda quando era solteiro, residente num pequeno apartamento próximo à rodovia de Chapada dos Guimarães, em MT.

Escolhi esse imóvel para comprar pelo simples fato de poder apreciar as montanhas chapadenses da janela da sala. Dali, imaginava coisas aleatórias, a exemplo de aterrissagens de discos voadores no platô do Morro de São Jerônimo.

Antes de falar propriamente disso, gostaria de relatar duas experiências que vivenciei na citada rodovia. É uma estrada conhecida por protagonizar fenômenos nem sempre explicáveis, incluindo os fantasmagóricos.

Nunca esqueci, por exemplo, daquele garoto que vestia apenas um calção vermelho, tranquilamente refestelado na murada protetora do Portão do Inferno. Pelo horário, quase meia-noite, ele não deveria estar ali. Sem falar da temperatura gelada lá fora…

Dirigia-me à sede do município para participar do Festival de Inverno. Mesmo na opacidade visual da densa cerração que cobria parcialmente alguns trechos, pude observar seu olhar fixo.

Voltei a me questionar se ele não sentia frio, e o porquê de estar ali, tão tranquilo, aparentando absoluta comodidade.

– Vejam a audácia desse guri, pessoal: só de calção, em meio a essa geleira chapadense! – exclamei.

– Que guri??? Não estamos vendo nenhum! – foram respostas indagativas.

– Ali, oh! E está olhando pra cá, não veem?

A resposta seguinte foi preocupante:

  • Ficou bêbado antes de beber, é? – ironizou uma das passageiras familiares.

Todos a bordo do carro tentaram ver o tal menino na murada do Portão do Inferno.

– É… Acho que você bebeu – e foi muito – antes de virmos pra cá… – disse outra.

Até quase concordei, mas o fato de continuar vendo o menino nitidamente foi bem incômodo…

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Antes de finalizar o contorno desse tenebroso abismo, ainda olhei em direção ao menino solitário, que simplesmente já não estava mais lá.

– Agora sumiu mesmo, pessoal!

Ninguém comentou nada, só risinhos sarcáticos…

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Numa viagem posterior, pouco depois do trevo do Jardim Florianópolis, pude contar com um testemunho ao avistar uma mulher elegante, de vestido verde e sapatos brancos,  transitando ao encontro do nosso veículo, sem a menor preocupação de ser atropelada.

Eu e minha companheira gritamos desesperados para o motorista acionar os freios, sem que obedecesse.

– Cuidado! Aquela mulher vai ser atropelada!

Ele ignorou nosso pedido, continuando a trafegar normalmente, enquanto a mulher se aproximava rapidamente do carro…

O que imaginamos que seria uma brutal colisão não sucedeu, pois a mulher “atravessou” o veículo magicamente sem qualquer baque. E como essa van dispunha de potente lanterna traseira, pude vê-la sorrindo para nós lá atrás, até ganharmos maior distância.

Nossa! O que foi aquilo?!

Informaram depois que ela sempre aparecia nesse lugar, onde foi atropelada ao retornar de uma festa.

“Estava noiva, ia casar”, disse um morador.

MAS VAMOS À BRUXA DO TÍTULO…

Eu fui dormir normalmente às 23h, e não recordo de ter tido nenhum pesadelo. Seguindo um antigo costume biológico, acordei lá pelas 2h, momento em que percebi não estar sozinho na cama de solteiro: havia uma mulher lindíssima sobre meu corpo!

Antes que indagasse quem era, ou o motivo de sua presença misteriosa, ela me beijou suavemente, depois com sofreguidão. Inevitável acompanhar seu embalo, e o ritmo de agarramentos evoluiu para o ato, em si.

Quanto candura e calor em cada beijo e no contato dos nossos corpos! Fiquei inebriado, anestesiado, sei lá. Bom demais!

Isso durou um tempo a mais do que as relações que já tinha experimentado. E eu nem queria que acabasse, pois estava literalmente me deliciando com tanta volúpia!

Atingimos o clímax simultaneamente, e a lindíssima amante me olhou feliz.

No quarto iluminado pela luz solar, reforçada pela de um poste próximo à janela, vi seus dentes branquíssimos, a boca perfeita, e os olhos verdes. Olhos verdes, hein? Hummm… Muito especial aquela gata! – pensei ao admirá-la apaixonado.

Ela se deitou placidamente de lado, aparentando precisar de um tempo para descansar do êxtase sexual de há pouco.

De mãos dadas, ficamos por uns minutos em silêncio, ouvindo reciprocamente as respirações.

Sua mão quente apertava a minha, e aquele contato morno foi perecendo, até sumir de vez. Nem estranhei isso, só me questionando como ela poderia estar lado a lado comigo, numa cama de solteiro. A não ser que flutuasse rente à cama…

Esse raciocínio foi acelerador de uma outra dúvida: flutuando???

Virei-me para observá-la e – pasmem! – não havia ninguém ali, apesar do seu perfume adocicado ter invadido todo o ambiente.

Nem preciso mencionar que tal conclusão significou salto abrupto da cama para acender a luz e vasculhar todo o apartamento, à procura dessa mulher.

Nada encontrei, e jamais encontraria, é a pura verdade: relacionei-me com um espectro inexplicável. Creio que foi uma bruxa, a julgar pelos cabelos, olhos, e o jeito faceiro de me olhar em pleno exercício amoroso…

Acreditam que, mesmo apavorado, senti saudades dela nas noites seguintes?

Por João Carlos de Queiroz, jornalista Mtb 381.18

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