Nem as bruxas andam mais no meu quintal…
Nos últimos tempos, instalou-se estranha quietude nos quadrantes do meu imaginário. Algo similar à parada brusca de uma composição ferroviária, após marcha sincronizada por destinos insossos. Até então, só pensava mesmo em viajar…
Por ora, nem mesmo as arredias e interessantes bruxas sobrevoam áreas da memória que julgava serem acessíveis a voos metódicos. Possivelmente, reagendaram tais sobrevoos inusitados para lugares inacessíveis ao alcance de mentes férteis em fantasias.
Mas nem tudo se esvaeceu, pois ainda guardo resquícios da incômoda vizinhança com uma pretensa bruxa, no final dos anos 80. Isso aconteceu quando residia no sobrado geminado do Morada do Parque, conjunto habitacional de Montes Claros-MG.
Por onde ela anda, nem tenho ideia… Só fico matutando que talvez tenha se recolhido às entranhas dos mistérios sombrios que geralmente cercam suas existências.
O fato é que minhas memórias esfaceladas, por vezes confusas, insistem em materializar experiências que, lá atrás,tranformei em textos contraditórios à plena lucidez de um jornalista.
Assim “nasceu” a Mulher de Sete Metros, a melhor das bruxas com quem convivi por anos…
Atualmente, por conta das saudades do literário sonhador, hoje quase excluído, escuto o farfalhar de algo espécie a uma vassoura aterrissando no alpendre do sobrado geminado do Morada do Parque, na década de 80. Só que lá – pasmem! – não morava ninguém.
Somam-se a esses ruídos semelhantes passos e pancadas intermitentes de alguém se movimentando no interior do desabitado (?) sobrado, madrugada afora. No período diurno, só silêncio…
Sem delongas, diria que estou mesmo com saudades das bruxas.
Nem descarto as reais, a exemplo daquela austera senhora de Olhos d’Água, que ignoro se ainda vive. Fui lá nos anos 80, e abaixo discorrerei mais um pouco sobre nosso encontro.
Como já relatei anteriormente, trata-se de uma mulher elegante, loquaz, detentora de terceira visão, cicatriz na testa.
Nos boatos locais, dos mastiga fumo da zona rural que visitavam o então povoado, Marília é amiga próxima de alienígenas.
Sitiantes que batem ponto numa venda de chão batido disseram categoricamente assistir entra e sai de luzes multicoloridas na sua casa. Inclusive, relatam ter presenciado vultos esguios, altos, circulando pelo alpendre.
“Coisa desse mundo não é, senhor!”, afirmaram durante bate-papo informal que encetei para levantar maiores detalhes da presença de alienígenas na região de Olhos D’Água, região norte-mineira.
Quando estive lá pela primeira vez, em companhia do saudoso radialista Sebastião Aroldo, ouvi da própria personagem em questão relatos ainda mais impressionantes.
“Eles estão conosco o tempo todo, senhor, mas nem todos conseguem perceber isso”.
Também falou acerca de mundos paralelos, salietando residiri aí a não percepção de coisas consideradas inexplicáveis.
“Eles estão avançadíssimos à nossa frente. Avaliam que somos atrasados ao extremo, por não compreender o básico existencial do Universo”.
O poder de cura dos alienígenas se sobrepõe a qualquer metodologia da Medicina – ainda disse a carismática Marília.
Simpatizei com ela de imediato, sentindo extrema pureza no seu olhar. E suas palavras jamais pereceram nas lembranças:
“Pelo poder da mente, eles {alienígenas} conseguem curar doenças que hoje nos prostram nos leitos e levam à morte. Demorará muito para atingirmos esse patamar”.
Tais conversas insistem em permanecer vívidas na minha memória jornalística, visto que me desloquei a Olhos D’Água justamente para investigar fenômenos ufológicos naquela região, especialmente em Morro Alto. Já sabia da fama da respeitada senhora Marília…
Aliás, Morro Alto se assemelha a um platô de planeta longínquo, e a impressão dos visitantes é que podem ser projetados para o espaço.
Foi lá, no início de madrugada gelada, que todos vimos uma legião de luzes ofuscantes se aproximando velozes, aparentando procedimento de aterrissagem.
Os gritos de pavor dos amigos e as expressões estatizadas de outros alquebraram o quase contato direto em terceiro grau com os pretensos ETs, segundo avaliou a citada bruxa local.
“Houve bloqueio por parte de vocês, e eles abortaram o contato. Podemos ir embora agora…”
###
Nessa salada nostálgica, miscelânea de experiências interessantes, e mesmo apavorantes, vejo-me novamente, em viagem transcendental, a contemplar o verde apático do Parque Municipal Milton Prates. Aproveito para acompanhar o vai e vem das copas mais altas, provocado por açoite aleatório de vento.
Quando isso acontecia, logo vinha chuva forte…
Se pensasse mais, veria a Mulher de Sete Metros transitando ali em passadas largas pelo gramado, rumo às ruas do conjunto habitacional. Aí, seria soerguer o pavor já soterrado dos moradores pelas suas sequenciais aparições…
Analisando realisticamente os fatos, acho que também a Mulher de Sete Metros se mandou para sempre da city, indo assombrar outros quadrantes mineiros. Ou deve estar dormitando placidamente com sua veracidade questionável, mas nem por menos tão sinistra.
###
EM SÍNTESE…
Projeções desconexas do passado à parte, conclamo ardentemente hoje o retorno de todas as bruxas que fizeram minha existência ser conturbada de forma tão positiva.
Ah, quase esqueci… o teclado, permito-me retroceder a tempos tão bons. O que leva a uma conclusão lógica:
SEMPRE VIVEMOS HOJE NOSSO ME
Também repudio meu cotidiano, classificando-o entre tedioso e angustiante.
Pelo menos ao rededilhar o teclado adormecido pela inércia do ânimo, tenho uma conclusão a divulgar:
“NOSSO MELHOR MOMENTO É HOJE, JAMAIS O AMANHÃ. VIVA-O INTENSAMENTE!”
Por João Carlos de Queiroz, jornalista, Mtb 381.18 – Drt/MT
Direitos autorais reservados
Comentários estão fechados.