Não ande por caminhos ermos da mata; há uma bruxa à espreita…
Poucos ainda conseguem entender exatamente tudo o que aconteceu. Lembram-se, vagamente, de terem sido abordados por uma mulher sensual, que, sem mais nem menos, dispôs-se a um namoro rápido, porém inesquecível...
Na velha cidadela de Pau d’Óleo, região nordestina, incrustada nos fundos de um vale sombrio, repleto de pedras e trilhas desconexas, por décadas correu frouxo uma lenda nada confortável: uma bruxa sensual, mulher de beleza estarrecedora e curvas provocantes, atacava solitários peregrinos nas entranhas da mata.
Uma vez que muitos moradores precisavam se deslocar diariamente para ir trabalhar em sítios esparramados no vale, tornaram-se vítimas potenciais dessa misteriosa vampira do amor.
Os primeiros a serem “atacados” (ou escolhidos) mal conseguiam balbuciar direito as palavras para descrever a experiência pela qual passaram. Alguns repetiam abobalhados:
“Ela é linda; ainda sinto seu perfume estonteante”. Ou então:
“Se toda bruxa fosse idêntica a essa que conseguiu me envolver em seus braços, não haveria fadas”.
Mesmo extasiados, havia certo receio dos homens de que a linda bruxa um dia revelasse sua carranca aterradora no ato das investidas amorosas.
Por precaução, os trabalhadores passaram a andar em dupla pelas matas, a fim de evitar serem assediados pela bruxa ninfomaníaca.
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Se isso é verdade ou apenas boataria de pessoas cunhadas em cultura supersticiosa, infelizmente não posso confirmar. Também dizem que essa bruxa contribuiu para incentivar corrida turística à esquecida Pau d’Óleo. Todos queriam conhecer a história da bruxa.
João Carlos de Queiroz, jornalita
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