Conheça um capelão de velórios que já participou de mais de cinco mil cerimônias funerárias

Nélson Bernardo Govea, 65, também conhecido como “capelão Nélson”, é uma pessoa carismática, detentora de visível conhecimento bíblico. Natural de Paranavaí-PR, Nélson reside em Cuiabá desde 1998. Há mais de seis anos desenvolve atividades de “consolação religiosa” {conforme qualifica} em velórios sediados nas capelas funerárias de Cuiabá e Várzea Grande. A soma dessas atividades já ultrapassou cinco mil velórios, algo que entende ser “normal” e perfeitamente previsível. Em síntese, estar em velórios é militância de ordem voluntária que o capelão diz praticar com muito amor. Bernardo também é juiz mediador e arbitral desde 2002.

Para quem não conhece o conceito de mediação, explica, “é um método auto-compositivo de resolução de conflitos que, por meio do trabalho habilidoso e ético, de um terceiro imparcial, chamado mediador, facilita o diálogo entre as partes, estimulando-as a encontrarem soluções consensuais e satisfação mútuas que sejam sustentáveis no tempo”.

Já o conceito de arbitragem, descreve, é mecanismo de resolução de conflitos amplamente difundidos em vários países no mundo, relativos a direitos e bens patrimoniais (tudo que pode comprar, negociar, etc.). “Permite às partes envolvidas resolver suas disputas sem a interferência do Poder Judiciário. Tal incumbência fica a cargo de especialistas na matéria em litígio da forma mais informal e com maior celeridade e eficácia do que no processo judicial”.

“O corpo inerte é sempre merecedor de respeito, ainda que esteja destituído de espírito. Ele se desprende no ato da morte para ir ao encontro de Deus” 

Nélson explica que o capelão está apto a exercer sua atividade cristã quando dispõe de autorização do falecido (via familiares) para ministrar a palavra da consolação nos velórios, com base na fé cristã. E ressalta que a fé na ressurreição do corpo e na vida eterna – através de Jesus Cristo –  sempre prevalece nesses momentos.

Ele afirmou também nunca ter presenciado qualquer fenômeno inexplicável durante esse tempo de consolação funerária. E nem cogita a possibilidade da ocorrência de manifestações espíritas em velórios, creditando sua crença somente à ressurreição do corpo.

“É desejo de qualquer capelão que, num desses velórios, o falecido ressuscite, baseado no que está escrito no capítulo 14, do Evangelho de São João, versículo 12: “Na verdade vos digo: aquele que crê em Mim fará as mesmas obras que Eu faço, e as fará ainda maior do que estas”.

Nesse histórico de militância determinada em velórios, o capelão Nélson diz ter ministrado a Palavra para corpos inanimados de crianças que mal respiraram e expiraram, pessoas idosas, pré-adolescentes, jovens, etc. “A morte nos proporciona importante lição reflexiva: nada somos, Deus é o mais importante de tudo. Nosso objetivo é consolar a família e os amigos. O morto, o corpo, em si, está já destituído de espírito, que se encontra junto a Deus”.

“É difícil um dia em que não compareço a velórios. Tornou-se normal estar ao lado de semelhantes que deixaram de respirar e aguardam somente o retorno ao seu lugar de origem, o pó…”

Nelson informou que comparece a velórios quase todos os dias. Já houve ocasião em que esteve em sete velórios num só dia, sempre levando a palavra da consolação aos parentes e amigos do falecido.

Na sua concepção, de pessoa fortemente imbuída de fé cristã, “a morte física não representa nada, pois cremos na ressurreição do corpo, por ocasião da segunda vinda de Jesus Cristo. Ele ressuscitará os corpos de todos aqueles que acreditaram na Sua palavra…”

A despeito dessa quantidade de velórios dos quais participou, Nélson garante que nunca presenciou qualquer manifestação de ordem espírita. “Em função da fé cristã, o espírito do falecido está com Deus desde o instante em que cessam as funções vitais. Nosso corpo é somente o templo temporário do espírito. Finda sua missão volta ao pó, e então o espírito volta para Deus”, concluiu.

Casado e com filhos, Nélson Capelão já é avô, sentindo-se realizado e pronto para continuar o seu trabalho. “Trabalho que é 100% voluntário”, volta a frisar. “Faço isso por extremo amor ao próximo, às famílias enlutadas. Atividade prazerosa, do ponto de vista de conforto íntimo. Afinal, quem não vive para servir não serve para viver, prega popular ditame”.

Por João Carlos de Queiroz

 

Comentários estão fechados.