Católica beata diz que “não há lugar para animais no céu”
Moradora de Cuiabá {omitirei nome} afirma não existir espaço para comportar trilhões de animais no Paraíso. Para ela, apenas aos humanos é reservado esse direito de plenitude perpétua feliz. "Animais são seres inferiores, imbuídos apenas de instinto"
Conheço uma militante radical da Igreja Católica em Cuiabá. Poderia também ser oriunda de qualquer outra instituição religiosa, inclusive da linha espírita. Mas essa aí integra as hastes católicas e é fervorosa seguidora dos Mandamentos Divinos. Até aí, tudo bem, é algo perfeitamente aceitável, até merecedor de aplausos. Porque, quando se fala em Jesus e Maria – a Santíssima Virgem -, as luzes da fé resplandecem em todos nós…
O único senão contraditório dessa minha amiga reside na convicção equivocada de que os animais não são merecedores de espaço no céu (o dito Paraíso). E justificou esse posicionamento de maneira inconsistente: “Animais não têm alma, apenas instinto. Quando morrem, simplesmente desaparecem…”
Foi ainda bem mais além ao prospectar a quantidade inimaginável de animais que se transformaram em comida nos estômagos humanos e de outros bichos ao longo da existência de vida no planeta Terra. É a denominada cadeia alimentar…
“Sem alma, os animais não passam de seres descartáveis. Já o homem, não: é superior em tudo, detém divindade concedida por Deus. Portanto, apenas o homem tem lugar garantido no céu”.
A beata citou que a Bíblia Sagrada nunca fez menção aos animais como portadores de alma, constituindo-se somente em instrumentos de serventia alimentar e serviços ao homem. “Os animais foram concebidos para servir restritamente ao ser humano, nada mais. Isso não lhes assegura nenhum espaço no céu. Mesmo porque não têm alma, simplesmente acabam após morrerem. Não são providos de nenhuma condição sublime {alma} que faculte o ingresso consentido e deleite de uma vida perpétua no Paraíso”.

Conversamos longamente sobre tais temas, não conseguindo demovê-la das estranhas convicções arrogantes. Aliás, suas interpretações religiosas são impregnadas de inculta superioridade humana em relação aos animais. Inclusive, ela estampou uma fisionomia estarrecida e indignada quando disse que qualquer um de nós pode ter sido um animal vira-latas em outra vida, estando agora cumprindo uma etapa humana. “No futuro, após cerrarmos nossos olhos físicos, podemos reencarnar novamente num corpo de cachorro, gato, cavalo, porco, ave, etc…”
Expliquei que os grandes médiuns da história da Humanidade {e o próprio mundo científico} já provaram que a inteligência humana (do animal racional) e dos demais animais (rotulados injustamente como portadores apenas de instinto) registra uma semelhança incrível. Foram feitas um sem número de experiências de laboratório para embasar as teses.
Disse que nenhum dos lados também contestou a existência da alma animal, pelo contrário: provou-se como ela se desprende naturalmente do animal a partir do cessar das funções vitais {morte}, partindo para algum lugar especial. Pode ser o Paraíso que a amiga beata diz estar vetado para abrigar animais…
Também endossei que os animais possuem sentimentos inerentes ao homem, imbuídos de inteligência excepcional. Alguns até conseguem realizar complexas operações contábeis (porcos, cachorros, gatos, etc.).
Bem se diz popularmente, a fim de justificar certos impasses: “Religião não se discute”. Pois bem: minha amiga quase virou ex-amiga depois dessa conversa ácida sobre suas crenças {e as minhas}. Na verdade, quis impor posições católicas radicais, não aceitando nenhum módulo estranho ao seu roteiro de beata-mor. É mais ou menos o seguinte: “Concordo com você. Desde que pense exatamente como eu”.
Por João Carlos de Queiroz
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