Cuiabá se tornou uma cidade bem melhor sem carroceiros. Uma das categorias mais perversas em relação aos animais foi barrada de continuar atuando depois que a Câmara Municipal aprovou lei proibindo o uso de veículos movidos a tração animal. Uma iniciativa aplaudida por grande parte da população que se sensibiliza com a causa animal.
A proibição oficial imposta aos carroceiros no município de Cuiabá deveria ser praticada nacionalmente. Significa um basta! às cenas diárias de covardia que os quadrúpedes – os reais trabalhadores – sofrem há séculos nas mãos de pretensos donos. Quase a totalidade dos carroceiros do país age de maneira covarde e insensível com os animais que sustentam suas famílias e também suas cachaçadas. As exceções são raríssimas”
O ritual de maus-tratos começa desde às primeiras horas da manhã, quando os equinos são atrelados a carroças e obrigados a trabalhar o dia inteiro (e até parte da noite) sem alimento ou água, por vezes debaixo de sol, chuva, chibatadas e pauladas intermitentes para puxarem pesos descomunais. Se não conseguem, apanham até morrer. Perdeu-se a conta de quantos animais caíram mortos no meio das ruas ou vítimas da sanha sanguinolenta de condutores que se intitulam cinicamente de trabalhadores.
Muitos desses monstros humanos sequer respeitam éguas gestantes, obrigando-as a puxar carroças pesadas em estágio avançado de prenhez. Não raro, em função do peso e da pancadaria, elas abortam no meio das vias públicas. A Polícia tem vários casos do gênero registrados nos boletins de ocorrência.
O revoltante é que alguns alheios à realidade das coisas ainda comemoram a aposentadoria de carroceiros, ignorando que esse benefício não se estende aos animais que eles escravizaram durante anos. “Eu vendi o cavalo ao me aposentar”, ouvi de um deles. Respondi no ato: “Sua consciência não o perturba? Agora está tranquilo aí, sem nada pra fazer a não ser dormir. Agora, aquele pobrezinho que o sustentou e à sua família ainda está nas ruas sofrendo, trabalhando e apanhando. Sente-se confortável com isso?”
Resumindo: jamais deveria ser concedida aposentadoria a um elemento do tipo sem que seu animal também tivesse direito a gozar de descanso.
Precisamos é dispor de um espaço público permanente, destinado especificamente a abrigar todos os animais quadrúpedes – “alforriados” ou não. Não de forma provisória, paliativa, mas permanente. É um meio de recompensar os nobres animais pela vida escrava e torturante sofrida quando sob o jugo de condutores criminosos.
Resumindo a ópera: essa lei aprovada pela Câmara Municipal é um PRÊMIO NACIONAL DE VALOR INESTIMÁVEL, na opinião da linha editorial deste site e dos ecologistas.
Por João Carlos de Queiroz
*Fundador da Sociedade Norte Mineira Protetora dos Animais-MG