Mesmo ofuscada pela chegada do fim de ano, as férias escolares encobertam algo mais profundo nas mentes inocentes que proliferam as escolas públicas e particulares: o receio de perder de vista aqueles coleguinhas mais chegados, inclusive os professores.
Comum, portanto, o extravasamento das emoções das crianças, que, em franco desespero, afirmam desejar permanecer em 2026 ao lado dos colegas com os quais tanto brincaram e brigaram. Tornaram-se irmãos, a bem da verdade.
Muitos vão migrar para outras escolas, e até mesmo para outras cidades. Porém, outros tantos estarão novamente juntos na mesma sala, e/ou em turnos diferentes ou salas próximas.
Então, analisando sob esse prisma, não vai haver nenhum corte efetivo de relações, mas acomodações à nova realidade imposta pela graduação escolar. Sem falar na possibilidade de manterem contato permanente, via celular ou redes sociais. A internet implodiu distâncias geográficas.
O mais importante é que foi um bom ano, igualmente repleto de entraves inesperados e previsíveis. Quem aprendeu, aprendeu, e quem optou em apenas bagunçar, sem atentar para a importância futura dos conteúdos pedagógicos, ficou pra trás.
Esse grupinho bagunceiro vai estar no 4o. ano talvez meio perdido, pois não soube aproveitar 100% tudo que foi repassado pacientemente pelos professores. Optou pela indiferença total àquilo que os esforçados mestres apresentaram diuturnamente.
Alguns viram nos professores figuras quase detestáveis, a serem desafiadas dia a dia. Isso, ao invés de catalogá-los na condição de amigos perfeitos, quase pais substitutos no período escolar.
Quantas reprimendas dos professores não camuflam descomunal amor maternal aos rebeldes? Basta perceber o sorriso compreensivo deles ao menor afago de quem passou o ano inteiro atormentando suas aulas. Genuína atitude de amor, não de perdão…
E hoje, dia do AMIGO OCULTO, convém que as eventuais mágoas entre coleguinhas se transforme num abraço fraterno de precoce saudade. Porque, é fato: vocês todos vão sentir saudades uns dos outros! Isso inclui os contumazes colegas brigões, os birrentos. Vão falar deles doravante com extrema doçura, suspirando sentimento de irmãos que se amam…
Muitos professores também estarão fisicamente longe de vocês, passando a militar em outras unidades educacionais. Alguns, lógico, retornarão às salas em que vocês vão cumprir nova jornada escolar. A vida transcorre assim…
O mais importante é que as distâncias físicas entre alunos e professores serão sobrepujadas pelo pulsar permanente de corações amorosos.
E quando ouvirem alguém dizer desejar escutar o grito do silêncio, forma inteligente dos professores de calar o burburinho infantil, finalmente vão entender que não havia nenhuma madrasta à frente do quadro, mas uma mãezonha amorosa!
FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO A TODOS!
JCQ