Por João Carlos de Queiroz, Redação – O Carnaval (oficial) terminou, ufa!, ainda que muitos insistam em sequenciar esse agito em várias capitais, recusa explícita de que o samba não pode acabar. Não porque a alegria seja algo incômodo, muito pelo contrário. Mas é preciso que qualquer comemoração pública anual, empreendida com propósitos gigantes, de brilhar mundo afora, tenha fundamento lógico. Que seja respaldada em alguma coisa que as pessoas entendam por justa e consigam captá-la como grande exemplo.
Tanto no Rio como em São Paulo, Salvador e outras cidades de porte maior do país, muitas escolas seguiram parte dessa regrinha básica, contando histórias protagonizadas em território brasileiro e enaltecendo pessoas que têm marco perpétuo na memória popular, a exemplo de Clara Nunes, uma das maiores intérpretes do samba nacional.
Os desfiles carnavalescos, em geral, foram belíssimos, à exceção daquela grotesca luta entre o bem e o mal, ideia infeliz da Gaviões da Fiel. Mais do que um acinte momentâneo à religiosidade do povo brasileiro, foi total desrespeito imortal à figura santa de Jesus. Lá de cima, em algum lugar, também Ele deve ter ficado enojado.
Preâmbulos à parte, a grande mancada desse carnaval ficou centralizada justamente naquilo que os desfiles não abordaram: o heroísmo dos bombeiros que ainda lutam para resgatar corpos soterrados na lama em Brumadinho – MG. Seria algo que todo o Brasil aplaudiria comovido, pois renderia justa homenagem àqueles que recebem apertados salários para dedicar suas vidas a salvar vidas alheias.
A dura realidade é que vivemos num país que não é necessariamente adepto de justiça social, tamanho é o descalabro de incontáveis situações visualizadas em suas ruas no dia a dia. Por exemplo: crianças se prostituem e dormem em cima de bocas de lobo para se proteger do frio, enquanto mulheres grávidas buscam alimento e outras coisas no lixo, ofegantes pelo esforço de carregar tudo que entendem ser útil para auxiliá-las na dura guerra da sobrevivência.
Enfim, a ausência da imperiosa homenagem que deveria ter sido realizada aos bombeiros de Brumadinho trouxe um vácuo decepcionante ao brilho que as escolas e blocos tentaram dar à festa carnavalesca. Não há meios de enaltecer elogios a um perfume cujo ingrediente principal não está adicionado, porque vai incidir no aroma final, na pretendida essência perfeita.
Pelo menos a imprensa, da qual fazemos parte, tem lembrado a luta contínua dos nobres heróis que ainda rastejam sob sol e chuva em Brumadinho, à procura das centenas de vítimas que jazem na lama espalhada por quilômetros naquela região. Os carnavalescos, ao fechar o ato de alegria dos desfiles preparados durante meses de antecedência, também descerraram desencantamento geral de quantos aguardavam que os bombeiros fossem lembrados…
Divulgação Corpo de Bombeiros de Minas Gerais