A Força Aérea Brasileira (FAB) vive um dos momentos mais emblemáticos de sua história recente. Em um intervalo de poucas semanas, ao final do ano de 2025, três feitos estratégicos foram alcançados e, juntos, redefinem o patamar do poder aéreo nacional: a certificação do reabastecimento em voo entre o F-39 Gripen e o KC-390 Millennium, o lançamento real do míssil de longo alcance Meteor e a realização do primeiro Tiro Aéreo com canhão do Gripen em território nacional.
Além disso, a FAB recebeu, em novembro, mais uma aeronave Gripen, o FAB 4111, que realizou seu primeiro voo com sucesso no dia 19 e passou a integrar o acervo do Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA). Os avanços consolidam a prontidão operacional da FAB e evidenciam a maturidade tecnológica da Base Industrial de Defesa (BID).
Operação Samaúma: autonomia e alcance estratégico
Isso amplia de forma decisiva a capacidade operacional da FAB. Com o apoio do KC-390, o Gripen passa a ter alcance praticamente ilimitado dentro do território nacional, podendo atingir regiões fronteiriças distantes em poucas horas e permanecer mais tempo em áreas de interesse estratégico. Em missões de Patrulha Aérea de Combate ou em operações aéreas compostas (COMAO), o reabastecimento em voo garante flexibilidade, persistência e superioridade aérea.
Além do impacto operacional, a Operação Samaúma representa um avanço tecnológico de grande relevância. Pela primeira vez, o F-39E foi qualificado como aeronave recebedora de combustível em voo, etapa essencial para futuras certificações com outros reabastecedores. O processo envolveu pilotos e engenheiros de ensaio formados no Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV) e a atuação do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), autoridade certificadora militar brasileira, cujas certificações têm reconhecimento internacional.
Poder dissuasório: Gripen lança o míssil Meteor no Brasil
O Meteor é considerado um dos mísseis ar-ar além do alcance visual (BVR) mais sofisticados do mundo. Dotado de motor ramjet de empuxo variável e enlace de dados bidirecional, o míssil mantém alta energia até a fase final do engajamento, reduzindo drasticamente as chances de evasão do alvo. O sucesso dos disparos confirmou o binômio Gripen–Meteor como pilar central da defesa aérea brasileira e ampliou significativamente o poder dissuasório do Brasil no cenário regional.
O exercício envolveu planejamento complexo, uso intensivo de simulações, integração de múltiplos esquadrões e apoio de organizações como o Instituto de Aplicações Operacionais (IAOp), o DCTA e o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI). Além da capacidade militar, o exercício reforçou os ganhos em transferência de tecnologia previstos nos acordos internacionais do Programa Gripen.
Último passo: Gripen realiza primeiro tiro aéreo com canhão
O exercício envolveu o emprego do canhão Mauser BK-27, de 27 mm, contra alvos rebocados, e avaliou não apenas a precisão do armamento, mas também a prontidão logística, o tempo de resposta em situação de Alerta de Defesa Aérea e a eficácia do sistema em cenários realistas. O sucesso da atividade validou a doutrina de emprego do canhão e confirmou a confiabilidade do Gripen em missões de policiamento do espaço aéreo.
O resultado também evidencia a participação da indústria nacional no programa. A Akaer, empresa brasileira, foi responsável por parte do desenvolvimento estrutural da aeronave, incluindo a seção que abriga o canhão, como parte do processo de transferência de tecnologia com a SAAB.
Um novo patamar para a defesa aérea brasileira
A soma dos três marcos — reabastecimento em voo certificado, lançamento real do míssil Meteor e tiro aéreo com canhão — coloca o Brasil em um novo patamar de prontidão e soberania no domínio aeroespacial. Mais do que conquistas isoladas, os feitos demonstram a capacidade do País de desenvolver, ensaiar, certificar e empregar sistemas de defesa de alta complexidade com autonomia técnica e integração entre Força Armada, indústria e centros de pesquisa.
O Comandante de Preparo, Tenente-Brigadeiro do Ar Raimundo Nogueira Lopes Neto, destacou a importância do avanço que a plena capacidade operacional do F-39 Gripen representa para a prontidão da Defesa Aérea do País.
“O F-39 Gripen alcançou sua plena capacidade operacional, reunindo todas as condições para cumprir o Alerta de Defesa Aérea do Brasil, uma missão estratégica, permanente e essencial para a proteção da nossa soberania. A soma do lançamento real do míssil Meteor, da campanha de certificação do reabastecimento em voo com o KC-390 e o tiro aéreo, coloca o País em um novo patamar de prontidão. É a confirmação de que temos um vetor moderno, preciso e plenamente integrado aos sistemas de defesa aeroespacial e, para todos nós, é um grande motivo de orgulho ver o Gripen cumprindo exatamente o papel para o qual foi concebido”, destacou.
Fotos: FAB