Era uma vez a Amazônia; o mundo começa agora a ser mais deserto…

As chamas que ora devoram impiedosamente o verde da Amazônia e trucidam milhares de espécies animais sinalizam claramente um tempo de cenário desértico na Terra em futuro breve. Tempo de fome e desespero geral dos homens que souberam edificar seu próprio espaço de tortura...

As grotescas queimadas que destroem as matas da antes exuberante Amazônia parecem não ter fim nem qualquer sentido. Isso porque, na condição de brasileiro, estávamos acostumados a assistir focos esporádicos de incêndio entre os meses secos de agosto e setembro, sequenciando-se em outubro a chegada do período das águas, refresco merecido no calorão reinante nessa época. Mas isso jamais ocorreu com tanta voracidade destruidora e numa escala jamais vista.

A impressão reinante é de que existe agora uma conspiração oculta para destruir de vez a Amazônia, tamanha é a velocidade com que as florestas se tornam espectros cinzentos enfumaçados que encampam a morte cruel da fauna/flora. Ação desencadeada não somente pela imposição espontânea da seca atual, mas por, talvez, manipulação criminosa de alguém, ou de grupos… É justamente isso que a Polícia Federal está investigando a fundo. Trata-se de um massacre hediondo que a Amazônia e a Humanidade vêm sofrendo.

Deve ser ressaltado que esse lamento fúnebre pela Amazônia encampa a destruição de um dos mais expressivos pulmões do planeta, de há muito intoxicado pela irresponsabilidade e ganância desenfreada do homem em desmatar (grilagem) e promover comércio ilegal de árvores e da fauna amazônica. Os recursos naturais da floresta sempre estiveram no foco do interesse estrangeiro, o que tem levado as autoridades alfandegárias do País a promover flagrantes diversos nos aeroportos internacionais.

Além da morte maciça de milhões de animais, estamos perdendo também uma riquíssima reserva farmacêutica abrigada em espécies nativas existentes apenas na flora amazônica. 

Portanto, o luto oficial e desesperador pela morte da Amazônia é brasileiro e mundial, sim. Simplesmente não sabemos até quando nosso sofrido Planeta aguentará tantos baques assassinos perpetrados por irresponsáveis grupos e lideranças distintas {que se intitulam seus donos}.  Porque, extirpando-se um pulmão de um corpo, é óbvio que o restante não funcionará bem nunca mais…

O mais importante, no momento, é conclamarmos forças de todos os pontos do Planeta para salvar a Amazônia. Deve ser feito um flanco protetor maciço nas bases passíveis de serem carcomidas pelo avanço do fogo. O Brasil, sozinho, não tem condições de resguardar nossa floresta da destruição total, ainda que ações emergenciais estejam acontecendo no País com o auxílio da FAB e grupamento especializado em combate a incêndios.

A continuar nesse ritmo atroz de destruição, em breve a Amazônia tende a se tornar reles figurinha nostálgica no álbum das riquezas naturais trucidadas planeta afora. Exemplo de como uma civilização – que apregoa austera modernidade – pode implodir seu maior bem patrimonial e cometer aberrante suicídio coletivo. A Terra irá vagar assim a esmo pelo espaço sideral à procura do próprio sepulcro: o buraco negro.

Por João Carlos de Queiroz

 

 

 

 

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